O que é um aneurisma cerebral?
As artérias levam sangue ao cérebro sob pressão. Quando um ponto da parede está enfraquecido, ele pode se dilatar e formar um aneurisma. O risco principal é a ruptura, que causa sangramento ao redor do cérebro, chamado hemorragia subaracnóidea.
Em crianças, os aneurismas costumam ser maiores, aparecer em locais diferentes dos adultos e, mais frequentemente, estar ligados a traumas, infecções ou doenças do tecido conjuntivo e da parede dos vasos. Alguns têm formato alongado e irregular, chamados fusiformes ou dissecantes.
Quais são os sintomas?
Muitos aneurismas não causam sintomas até romper. Quando há sintomas, podem ser:
- Ruptura: dor de cabeça súbita e muito intensa, muitas vezes descrita como a pior da vida, vômitos, rigidez de nuca, sonolência, convulsão ou perda de consciência.
- Compressão: aneurismas grandes podem pressionar nervos e estruturas próximas, causando visão dupla, pálpebra caída, alteração visual ou outros sinais neurológicos.
- Isquemia: coágulos formados no aneurisma podem causar sintomas de AVC.
Como é feito o diagnóstico?
Em suspeita de sangramento, a tomografia é o primeiro exame. A angiotomografia e a angiorressonância mostram os vasos do cérebro sem cateter. A angiografia cerebral, feita com cateter, é o exame mais detalhado e permite planejar o tratamento e, às vezes, realizá-lo no mesmo procedimento.
Investigação de doenças associadas, como doenças do tecido conjuntivo, infecções e condições genéticas, pode ser indicada.
Como é o tratamento?
O objetivo é excluir o aneurisma da circulação e evitar sangramento, preservando o fluxo de sangue para o cérebro.
- Tratamento endovascular: por um cateter introduzido em uma artéria da virilha, o aneurisma é preenchido com molas ou o fluxo é desviado com stents especiais.
- Cirurgia aberta (microcirurgia): por uma abertura no crânio, um clipe é colocado no colo do aneurisma. Em aneurismas complexos podem ser necessárias reconstruções da artéria ou pontes de fluxo (bypass).
- Observação: pode ser considerada em aneurismas pequenos descobertos por acaso, conforme as características e a idade.
A escolha depende do tamanho, do formato, da localização, da causa e da experiência da equipe. Em crianças, a durabilidade do tratamento ao longo da vida pesa na decisão.
Como é o acompanhamento?
Exames de imagem periódicos verificam se o aneurisma tratado permanece fechado e se surgem novos aneurismas, o que é mais comum em crianças do que em adultos. O seguimento costuma ser prolongado.
Quando procurar atendimento?
Procure atendimento de urgência se houver:
- dor de cabeça súbita e muito intensa;
- rigidez de nuca, vômitos e sonolência;
- convulsão ou perda de consciência;
- visão dupla, pálpebra caída ou fraqueza de início súbito.
Se um aneurisma foi encontrado por acaso, procure avaliação com especialista em doenças vasculares do cérebro para discutir a conduta.
Perguntas frequentes
Aneurisma em criança é comum?
Não. É raro, bem menos frequente do que em adultos.
Todo aneurisma precisa ser tratado?
Não necessariamente. A decisão depende do risco de sangramento, das características do aneurisma e dos riscos do tratamento. Em crianças, muitos são tratados pela expectativa de vida longa.
Qual tratamento é melhor, cateter ou cirurgia?
Não existe um melhor para todos. A escolha depende do aneurisma e da experiência da equipe, e muitas vezes é discutida em conjunto por neurocirurgia e neurorradiologia intervencionista.
O aneurisma pode voltar depois de tratado?
Pode haver recanalização ou surgimento de novos aneurismas. Por isso o acompanhamento com exames é necessário.
Uma avaliação individual faz a diferença
Se há dúvidas sobre o diagnóstico, os sintomas ou o acompanhamento, converse com a equipe que acompanha a criança. Sinais de urgência devem ser avaliados em um serviço de emergência.
