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Saúde e desenvolvimento na infância

Malformações arteriovenosas (MAV) na infância: sintomas e tratamento

A malformação arteriovenosa cerebral, ou MAV, é um emaranhado de vasos em que artérias se ligam diretamente a veias, sem a rede de vasos finos que normalmente existe entre elas.

Na infância, a MAV é uma causa importante de sangramento cerebral espontâneo. O tratamento busca eliminar a malformação com segurança, e a decisão é sempre individual.

Informação educativa para pais e familiares. Este artigo não substitui uma consulta nem define a conduta para uma criança específica.

O que é uma MAV?

Normalmente, o sangue passa das artérias para os capilares, vasos muito finos que reduzem a pressão, e só então chega às veias. Na MAV, as artérias se ligam diretamente às veias por um novelo de vasos anormais, chamado nidus. As veias recebem sangue em alta pressão e podem se romper.

A MAV geralmente se forma durante o desenvolvimento, mas pode mudar ao longo do tempo. A maioria ocorre de forma isolada; algumas estão associadas a condições genéticas, como a telangiectasia hemorrágica hereditária.

Quais são os sintomas?

  • Sangramento: a forma mais comum de apresentação em crianças. Causa dor de cabeça súbita, vômitos, sonolência, convulsão ou sinais neurológicos como fraqueza ou alteração da fala.
  • Convulsões sem sangramento.
  • Dor de cabeça recorrente.
  • Déficits neurológicos progressivos, mais raros.
  • Algumas MAVs são descobertas por acaso em exames feitos por outro motivo.

Em recém-nascidos, uma malformação vascular específica chamada malformação da veia de Galeno pode causar insuficiência cardíaca e hidrocefalia, e tem tratamento próprio, geralmente endovascular.

Como é feito o diagnóstico?

Tomografia e ressonância mostram o sangramento e a malformação. A angiografia cerebral por cateter é o exame mais detalhado: mostra as artérias que alimentam a MAV, o nidus e as veias de drenagem, informações essenciais para planejar o tratamento.

Escalas como a de Spetzler-Martin, que consideram tamanho, localização em área funcional e tipo de drenagem venosa, ajudam a estimar o risco da cirurgia.

Como é o tratamento?

O objetivo é eliminar completamente a MAV, porque uma retirada parcial não protege contra novos sangramentos. As opções podem ser usadas isoladas ou combinadas:

  • Microcirurgia: retirada da malformação por cirurgia aberta. Oferece cura imediata quando a retirada é completa e é frequentemente preferida em MAVs acessíveis.
  • Embolização endovascular: fechamento de vasos da MAV por cateter, com materiais especiais. Muitas vezes é feita antes da cirurgia para reduzir o sangramento, e em alguns casos pode ser o tratamento principal.
  • Radiocirurgia: radiação concentrada que leva ao fechamento gradual da MAV ao longo de um a três anos. Indicada principalmente para MAVs pequenas em regiões profundas ou de alto risco cirúrgico.
  • Observação: pode ser considerada em MAVs que nunca sangraram e cujo tratamento teria risco muito alto.

Em crianças, a longa expectativa de vida aumenta o risco acumulado de sangramento ao longo dos anos, o que costuma favorecer o tratamento quando ele pode ser feito com segurança.

Como é o acompanhamento?

Após o tratamento, a angiografia confirma se a MAV foi eliminada. Mesmo com a cura confirmada, crianças precisam de exames de controle por alguns anos, porque há relatos de recorrência na infância. Reabilitação e controle de convulsões podem ser necessários.

Quando procurar atendimento?

Procure atendimento de urgência se houver:

  • dor de cabeça súbita e intensa;
  • vômitos com sonolência;
  • convulsão;
  • fraqueza, alteração da fala ou da visão de início súbito.

Se uma MAV foi encontrada por acaso, procure avaliação com equipe experiente em doenças vasculares do cérebro.

Perguntas frequentes

A MAV é hereditária?

Na maioria das vezes não. Algumas estão associadas a condições genéticas, que podem ser investigadas conforme o caso.

Toda MAV precisa ser tratada?

Não necessariamente. A decisão compara o risco de sangramento ao longo da vida com o risco do tratamento. Em crianças, o tratamento costuma ser favorecido quando pode ser feito com segurança.

A radiocirurgia funciona na hora?

Não. O fechamento acontece de forma gradual, ao longo de um a três anos, e até lá ainda existe risco de sangramento.

A criança pode praticar esportes?

Depende de a MAV ter sido tratada e de outras condições. A orientação é individual.

Uma avaliação individual faz a diferença

Se há dúvidas sobre o diagnóstico, os sintomas ou o acompanhamento, converse com a equipe que acompanha a criança. Sinais de urgência devem ser avaliados em um serviço de emergência.

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