Emmanuel Sá, neurocirurgião pediátrico Agendar

Saúde e desenvolvimento na infância

Traumatismo raquimedular na infância: sinais, tratamento e reabilitação

O traumatismo raquimedular é uma lesão da coluna vertebral que pode atingir a medula espinhal. Em crianças é menos comum do que em adultos, mas tem características próprias por causa do crescimento.

A conduta nos primeiros minutos e horas faz diferença. Em qualquer acidente com suspeita de lesão na coluna, a criança deve ser mantida imóvel até a chegada de socorro especializado.

Informação educativa para pais e familiares. Este artigo não substitui uma consulta nem define a conduta para uma criança específica.

O que é traumatismo raquimedular?

A coluna protege a medula, que leva comandos do cérebro ao corpo e traz a sensibilidade. Um trauma pode causar fratura, deslocamento ou lesão dos ligamentos da coluna, com ou sem lesão da medula.

Em crianças pequenas, a cabeça é proporcionalmente maior e os ligamentos mais elásticos, por isso a região cervical alta, perto da base do crânio, é mais atingida. A coluna infantil pode se deformar e voltar ao lugar, e às vezes a medula é lesada mesmo sem fratura visível nas radiografias.

Quais são as causas mais comuns?

  • Acidentes de trânsito, especialmente sem a cadeirinha ou o cinto adequados.
  • Quedas de altura.
  • Mergulho em águas rasas.
  • Acidentes esportivos e de recreação.
  • Em bebês, lesões sem explicação compatível precisam ser investigadas com cuidado, para proteger a criança.

O que fazer no momento do acidente?

Se houver suspeita de lesão na coluna:

  • chame o serviço de emergência (SAMU 192 ou Bombeiros 193);
  • não movimente a criança, a menos que haja risco imediato, como fogo ou afogamento;
  • mantenha a cabeça, o pescoço e o tronco alinhados e parados;
  • não retire o capacete;
  • não ofereça comida ou bebida.

Suspeite de lesão na coluna se houver dor no pescoço ou nas costas, fraqueza, formigamento ou perda de sensibilidade, ou se a criança estiver desacordada depois de um trauma importante.

Como é feito o diagnóstico?

O exame neurológico detalhado avalia força, sensibilidade e reflexos e define o nível e a gravidade da lesão. Radiografias e tomografia avaliam ossos e alinhamento. A ressonância magnética é o melhor exame para avaliar a medula, os ligamentos e os discos, e é especialmente importante quando há sintomas neurológicos sem fratura visível.

Como é o tratamento?

  • Imobilização: colares e coletes para lesões estáveis.
  • Cirurgia: indicada para descomprimir a medula, realinhar e estabilizar a coluna quando há instabilidade ou compressão. Em lesões com compressão da medula, a cirurgia precoce pode favorecer a recuperação em casos selecionados.
  • Cuidados intensivos: manutenção da pressão arterial, da respiração e prevenção de complicações nas primeiras semanas.

As técnicas e os implantes são escolhidos considerando o tamanho e o crescimento da coluna da criança.

Como é a reabilitação?

A reabilitação começa cedo e envolve fisioterapia, terapia ocupacional, cuidado com a pele, com a bexiga e o intestino, apoio psicológico e adaptação escolar. Crianças com lesão da medula precisam de acompanhamento por toda a vida, inclusive porque podem desenvolver escoliose durante o crescimento.

A recuperação depende principalmente da gravidade da lesão inicial. Lesões incompletas, em que parte da função é preservada, têm maior chance de melhora.

Como prevenir?

  • Cadeirinha e assento de elevação adequados à idade, e cinto sempre afivelado.
  • Não mergulhar em locais rasos ou desconhecidos.
  • Equipamentos de proteção e supervisão em esportes e brinquedos de altura.
  • Telas em janelas e cuidado com lajes e escadas.

Perguntas frequentes

Pode haver lesão da medula sem fratura?

Sim. Em crianças isso é mais comum do que em adultos, pela elasticidade da coluna. Por isso a ressonância é importante quando há sintomas neurológicos.

Toda fratura da coluna precisa de cirurgia?

Não. Muitas fraturas estáveis são tratadas com colete ou colar e acompanhamento.

A criança vai voltar a andar?

Depende da gravidade da lesão. Lesões incompletas têm maior chance de recuperação. A equipe orienta a família conforme a evolução das primeiras semanas.

Por que o acompanhamento continua depois da alta?

Porque com o crescimento podem surgir escoliose, problemas urinários e outras necessidades que precisam ser tratadas a tempo.

Uma avaliação individual faz a diferença

Se há dúvidas sobre o diagnóstico, os sintomas ou o acompanhamento, converse com a equipe que acompanha a criança. Sinais de urgência devem ser avaliados em um serviço de emergência.

Agendar consulta