O que é traumatismo raquimedular?
A coluna protege a medula, que leva comandos do cérebro ao corpo e traz a sensibilidade. Um trauma pode causar fratura, deslocamento ou lesão dos ligamentos da coluna, com ou sem lesão da medula.
Em crianças pequenas, a cabeça é proporcionalmente maior e os ligamentos mais elásticos, por isso a região cervical alta, perto da base do crânio, é mais atingida. A coluna infantil pode se deformar e voltar ao lugar, e às vezes a medula é lesada mesmo sem fratura visível nas radiografias.
Quais são as causas mais comuns?
- Acidentes de trânsito, especialmente sem a cadeirinha ou o cinto adequados.
- Quedas de altura.
- Mergulho em águas rasas.
- Acidentes esportivos e de recreação.
- Em bebês, lesões sem explicação compatível precisam ser investigadas com cuidado, para proteger a criança.
O que fazer no momento do acidente?
Se houver suspeita de lesão na coluna:
- chame o serviço de emergência (SAMU 192 ou Bombeiros 193);
- não movimente a criança, a menos que haja risco imediato, como fogo ou afogamento;
- mantenha a cabeça, o pescoço e o tronco alinhados e parados;
- não retire o capacete;
- não ofereça comida ou bebida.
Suspeite de lesão na coluna se houver dor no pescoço ou nas costas, fraqueza, formigamento ou perda de sensibilidade, ou se a criança estiver desacordada depois de um trauma importante.
Como é feito o diagnóstico?
O exame neurológico detalhado avalia força, sensibilidade e reflexos e define o nível e a gravidade da lesão. Radiografias e tomografia avaliam ossos e alinhamento. A ressonância magnética é o melhor exame para avaliar a medula, os ligamentos e os discos, e é especialmente importante quando há sintomas neurológicos sem fratura visível.
Como é o tratamento?
- Imobilização: colares e coletes para lesões estáveis.
- Cirurgia: indicada para descomprimir a medula, realinhar e estabilizar a coluna quando há instabilidade ou compressão. Em lesões com compressão da medula, a cirurgia precoce pode favorecer a recuperação em casos selecionados.
- Cuidados intensivos: manutenção da pressão arterial, da respiração e prevenção de complicações nas primeiras semanas.
As técnicas e os implantes são escolhidos considerando o tamanho e o crescimento da coluna da criança.
Como é a reabilitação?
A reabilitação começa cedo e envolve fisioterapia, terapia ocupacional, cuidado com a pele, com a bexiga e o intestino, apoio psicológico e adaptação escolar. Crianças com lesão da medula precisam de acompanhamento por toda a vida, inclusive porque podem desenvolver escoliose durante o crescimento.
A recuperação depende principalmente da gravidade da lesão inicial. Lesões incompletas, em que parte da função é preservada, têm maior chance de melhora.
Como prevenir?
- Cadeirinha e assento de elevação adequados à idade, e cinto sempre afivelado.
- Não mergulhar em locais rasos ou desconhecidos.
- Equipamentos de proteção e supervisão em esportes e brinquedos de altura.
- Telas em janelas e cuidado com lajes e escadas.
Perguntas frequentes
Pode haver lesão da medula sem fratura?
Sim. Em crianças isso é mais comum do que em adultos, pela elasticidade da coluna. Por isso a ressonância é importante quando há sintomas neurológicos.
Toda fratura da coluna precisa de cirurgia?
Não. Muitas fraturas estáveis são tratadas com colete ou colar e acompanhamento.
A criança vai voltar a andar?
Depende da gravidade da lesão. Lesões incompletas têm maior chance de recuperação. A equipe orienta a família conforme a evolução das primeiras semanas.
Por que o acompanhamento continua depois da alta?
Porque com o crescimento podem surgir escoliose, problemas urinários e outras necessidades que precisam ser tratadas a tempo.
Uma avaliação individual faz a diferença
Se há dúvidas sobre o diagnóstico, os sintomas ou o acompanhamento, converse com a equipe que acompanha a criança. Sinais de urgência devem ser avaliados em um serviço de emergência.
