O que são tumores do encéfalo?
São crescimentos anormais de células dentro do crânio. Podem surgir no cérebro, no cerebelo, no tronco encefálico ou em estruturas próximas, como a região da hipófise e as membranas.
Benigno e maligno não descrevem bem esses tumores. Um tumor de crescimento lento pode causar problemas importantes pela localização, e tumores de crescimento rápido podem responder bem ao tratamento. Hoje a classificação combina o aspecto ao microscópio com características moleculares, que ajudam a prever o comportamento e escolher o tratamento.
Quais são os tipos mais comuns na infância?
- Gliomas de baixo grau, como o astrocitoma pilocítico: costumam crescer devagar e muitos podem ser controlados por longo prazo.
- Meduloblastoma: tumor do cerebelo, mais frequente em crianças. Exige cirurgia e tratamento complementar.
- Ependimoma: pode surgir perto dos ventrículos, com frequência na fossa posterior.
- Craniofaringioma: na região da hipófise; pode afetar a visão e os hormônios.
- Gliomas de alto grau e gliomas do tronco encefálico: de tratamento mais difícil.
- Tumores de células germinativas e outros tipos mais raros.
Uma proporção importante dos tumores infantis fica na fossa posterior, a região do cerebelo e do tronco encefálico. Por isso, alterações de equilíbrio e sinais de hidrocefalia são formas comuns de apresentação.
Quais sinais podem aparecer?
Os sintomas dependem da localização e da velocidade de crescimento, e podem se instalar aos poucos:
- Dor de cabeça que acorda a criança à noite ou está presente ao acordar, com vômitos, ou que piora progressivamente.
- Vômitos matinais repetidos, especialmente sem diarreia ou outra explicação.
- Desequilíbrio, andar instável, falta de coordenação.
- Alterações da visão, olhos desviados, visão dupla ou movimentos anormais dos olhos.
- Fraqueza de um lado do corpo, alteração da fala ou da deglutição.
- Convulsões.
- Mudança de comportamento, queda do rendimento escolar ou perda de habilidades já adquiridas.
- Em bebês: crescimento rápido da cabeça, moleira abaulada, irritabilidade e dificuldade para mamar.
- Alterações hormonais, como parada do crescimento, puberdade precoce ou sede e urina excessivas.
Esses sinais têm muitas outras causas. A combinação de sintomas, sua persistência e o exame neurológico orientam a necessidade de investigação.
Como é feito o diagnóstico?
A ressonância magnética é o exame principal. Mostra o tamanho, a localização, a relação com estruturas importantes e sinais de hidrocefalia. Em alguns tipos, a ressonância de toda a coluna é feita para procurar disseminação pelo líquor.
O diagnóstico definitivo geralmente vem da análise do tecido retirado na cirurgia ou em uma biópsia, incluindo exames moleculares. Exames de sangue, do líquor, avaliação oftalmológica e hormonal podem completar a investigação, conforme o tipo suspeito.
Como é o tratamento?
Cirurgia
Em muitos tumores, a cirurgia é o primeiro passo. Ela confirma o diagnóstico, alivia a pressão e, quando possível, remove o tumor com segurança. A extensão da retirada é decidida pesando o benefício de remover mais tumor contra o risco de lesar funções importantes. Recursos como neuronavegação, monitorização neurofisiológica e ressonância durante a cirurgia ajudam nessa decisão, conforme a disponibilidade.
A hidrocefalia, quando presente, pode precisar de tratamento antes ou depois da retirada do tumor.
Tratamento complementar
Dependendo do tipo, podem ser indicadas quimioterapia, radioterapia ou terapias-alvo dirigidas a alterações moleculares específicas. A radioterapia em crianças pequenas é planejada com muito cuidado por seus efeitos no cérebro em desenvolvimento. Alguns tumores de baixo grau podem ser apenas acompanhados depois da cirurgia.
As decisões são tomadas em conjunto por neurocirurgia, oncologia pediátrica, radioterapia, neurorradiologia e patologia.
Como é o acompanhamento?
O seguimento inclui ressonâncias periódicas, avaliação neurológica, do desenvolvimento, da visão, dos hormônios e do aprendizado escolar. Reabilitação com fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e apoio psicológico faz parte do cuidado. O acompanhamento costuma durar anos, inclusive para identificar efeitos tardios do tratamento.
Quando procurar atendimento?
Procure avaliação se a criança tiver dor de cabeça persistente ou progressiva, vômitos sem explicação, alteração de equilíbrio, da visão ou do comportamento, ou perda de habilidades.
Procure atendimento de urgência se houver:
- sonolência excessiva ou dificuldade para acordar;
- vômitos repetidos com dor de cabeça intensa;
- convulsão;
- fraqueza, alteração da fala ou da visão de início recente.
Perguntas frequentes
Dor de cabeça frequente pode ser tumor?
Raramente. A grande maioria das dores de cabeça na infância tem outras causas. Alguns padrões merecem investigação, como dor que acorda a criança, vômitos associados, piora progressiva ou alterações no exame neurológico.
Todo tumor cerebral precisa de cirurgia?
Não. Alguns são tratados primeiro com quimioterapia ou radioterapia, e outros podem ser apenas acompanhados. A decisão depende do tipo, da localização e dos sintomas.
A cirurgia pode deixar sequelas?
Pode. Os riscos dependem da localização do tumor e são discutidos antes da cirurgia. Muitas alterações melhoram com o tempo e com reabilitação.
Tumor de baixo grau é curado?
Muitos são controlados por longo prazo, especialmente quando podem ser retirados por completo. Mesmo assim, o acompanhamento é necessário.
A criança poderá voltar à escola?
Na maioria dos casos, sim, com adaptações quando necessárias. A equipe orienta o momento do retorno e o apoio escolar.
Uma avaliação individual faz a diferença
Se há dúvidas sobre o diagnóstico, os sintomas ou o acompanhamento, converse com a equipe que acompanha a criança. Sinais de urgência devem ser avaliados em um serviço de emergência.
