Emmanuel Sá, neurocirurgião pediátrico Agendar

Saúde e desenvolvimento na infância

Tumores medulares na infância: sinais, diagnóstico e tratamento

Os tumores medulares são lesões que crescem dentro ou ao redor da medula espinhal, no canal da coluna. Em crianças são raros e, por isso, os primeiros sinais podem ser confundidos com outros problemas.

O diagnóstico precoce é importante porque a função neurológica no momento da cirurgia é um dos fatores que mais influenciam a recuperação.

Informação educativa para pais e familiares. Este artigo não substitui uma consulta nem define a conduta para uma criança específica.

O que são tumores medulares?

A medula espinhal fica dentro do canal vertebral, envolvida pelas meninges. Os tumores dessa região são classificados pela relação com essas estruturas:

  • Intramedulares: dentro da própria medula. Em crianças, os mais comuns são astrocitomas e ependimomas.
  • Intradurais extramedulares: dentro das meninges, mas fora da medula, como schwannomas, meningiomas e alguns tumores que se espalham pelo líquor.
  • Extradurais: fora das meninges, frequentemente partindo das vértebras ou de tecidos próximos, como o neuroblastoma que entra no canal.

Algumas condições genéticas, como a neurofibromatose, aumentam a chance de tumores nos nervos e na medula.

Quais sinais podem aparecer?

  • Dor nas costas persistente, que piora à noite ou acorda a criança. Dor nas costas noturna em criança merece atenção.
  • Alteração da marcha, quedas frequentes, tropeços ou recusa em andar em crianças pequenas.
  • Fraqueza, formigamento ou alteração da sensibilidade nos braços ou nas pernas.
  • Escoliose que progride rápido, dolorosa ou com curva atípica.
  • Mudanças no controle da urina ou das fezes.
  • Torcicolo persistente, em tumores da região cervical.

Os sintomas podem se instalar devagar, ao longo de meses. Nenhum deles confirma tumor, mas a combinação ou a progressão justifica investigação.

Como é feito o diagnóstico?

A ressonância magnética da coluna, com contraste, é o exame principal. Mostra a localização exata, a extensão, a relação com a medula e se há cistos ou siringomielia associados. A ressonância do encéfalo pode ser necessária em alguns tipos.

O diagnóstico definitivo vem da análise do tecido obtido na cirurgia. Exames complementares, como avaliação urológica e da coluna para escoliose, podem ser indicados.

Como é o tratamento?

A cirurgia é o tratamento principal para a maioria dos tumores medulares em crianças. O objetivo é remover o máximo de tumor com segurança, preservando a função neurológica. A monitorização neurofisiológica durante a cirurgia ajuda a proteger as vias motoras e sensitivas.

  • Em alguns tumores, como certos ependimomas, a retirada completa pode ser possível e trazer controle duradouro.
  • Em astrocitomas infiltrativos, a retirada completa nem sempre é segura, e o tratamento pode incluir quimioterapia ou radioterapia.
  • Como a cirurgia envolve a abertura das vértebras, pode ser necessário reconstruir os arcos ósseos ou acompanhar o risco de deformidade da coluna com a ortopedia.

Os riscos incluem piora transitória ou permanente da força, sensibilidade ou controle urinário, vazamento de líquor e deformidade da coluna. Eles são discutidos antes da decisão.

Como é o acompanhamento?

O seguimento inclui ressonâncias periódicas, exame neurológico, avaliação da coluna com a ortopedia e da função urinária. A reabilitação com fisioterapia e terapia ocupacional começa cedo. A frequência dos exames depende do tipo de tumor e da extensão da retirada.

Quando procurar atendimento?

Procure avaliação diante de dor nas costas persistente ou noturna, mudanças na marcha, escoliose que progride rápido ou alterações urinárias novas.

Procure atendimento de urgência se houver:

  • fraqueza nas pernas ou nos braços que surge ou piora rapidamente;
  • perda de sensibilidade;
  • dificuldade súbita para urinar ou perda do controle da urina ou das fezes.

Perguntas frequentes

Dor nas costas em criança pode ser tumor?

Na maioria das vezes não. Mas dor persistente, noturna, que acorda a criança, ou acompanhada de alterações neurológicas merece avaliação médica.

A cirurgia pode deixar a criança paralisada?

O risco existe e depende da localização e do tipo de tumor. A monitorização durante a cirurgia reduz esse risco. Muitas crianças mantêm ou recuperam a função com reabilitação.

Todo tumor medular precisa de quimioterapia ou radioterapia?

Não. Muitos são tratados apenas com cirurgia e acompanhamento. O tratamento complementar depende do tipo e do que foi possível retirar.

A coluna pode entortar depois da cirurgia?

Pode, especialmente em crianças pequenas e quando vários níveis são operados. Por isso a coluna é acompanhada ao longo do crescimento.

Uma avaliação individual faz a diferença

Se há dúvidas sobre o diagnóstico, os sintomas ou o acompanhamento, converse com a equipe que acompanha a criança. Sinais de urgência devem ser avaliados em um serviço de emergência.

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