O que é paralisia cerebral?
A paralisia cerebral não é uma doença única. É um diagnóstico clínico que descreve como a criança se movimenta e mantém a postura, quando isso foi afetado por uma alteração do cérebro nos primeiros momentos da vida.
Entre as causas possíveis estão a prematuridade, a falta de oxigênio, infecções, hemorragias, acidentes vasculares cerebrais no bebê e malformações do cérebro. Em parte dos casos a causa não é identificada.
Além do movimento, podem estar presentes alterações da fala, da deglutição, da visão, da audição, do aprendizado e epilepsia, em graus muito variados. Muitas crianças com paralisia cerebral têm inteligência preservada.
Quais são os tipos?
- Espástica: a mais comum. Os músculos ficam rígidos e resistem ao movimento, principalmente quando ele é rápido. Veja mais em espasticidade.
- Discinética: movimentos involuntários, como distonia (contrações que levam a posturas torcidas) ou movimentos lentos e contorcidos.
- Atáxica: dificuldade de equilíbrio e coordenação.
- Mista: combinação dessas formas.
A distribuição também é descrita: um lado do corpo (hemiparesia), predomínio nas pernas (diparesia) ou os quatro membros (quadriparesia). Escalas como o GMFCS classificam a função motora grossa em cinco níveis e ajudam a planejar o cuidado.
Como é o cuidado?
O tratamento busca dar à criança a maior autonomia e conforto possíveis, com uma equipe que pode incluir pediatria, neurologia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, ortopedia, neurocirurgia e apoio psicológico e escolar.
- Fisioterapia e terapia ocupacional ao longo do desenvolvimento.
- Órteses e recursos de mobilidade.
- Medicamentos para espasticidade, distonia, dor e epilepsia, quando necessários.
- Aplicações de toxina botulínica em músculos específicos.
- Cirurgias ortopédicas para contraturas, deformidades e luxação do quadril.
- Procedimentos neurocirúrgicos em casos selecionados.
Quando a neurocirurgia pode ajudar?
Rizotomia dorsal seletiva
Cirurgia na coluna lombar em que parte das raízes nervosas sensitivas responsáveis pela espasticidade das pernas é seccionada de forma seletiva, com auxílio de monitorização elétrica. É indicada para crianças selecionadas com espasticidade predominante nas pernas, boa força de base e potencial para andar ou melhorar a marcha. Exige um programa intenso de fisioterapia depois.
Bomba de baclofeno intratecal
Um pequeno dispositivo implantado sob a pele do abdome libera baclofeno diretamente no líquor, por um cateter. Permite doses muito menores que as do remédio por boca. É considerada em espasticidade ou distonia generalizada e grave, que causa dor, dificulta cuidados ou não responde a outros tratamentos.
Estimulação cerebral profunda
Em casos selecionados de distonia, eletrodos implantados em regiões profundas do cérebro podem reduzir movimentos involuntários. Os resultados na paralisia cerebral são mais modestos e variáveis do que em outras formas de distonia.
A escolha depende do tipo de alteração do tônus, da idade, da função motora, dos objetivos da família e do acesso à reabilitação. Nenhum desses procedimentos cura a paralisia cerebral; eles tratam sintomas específicos.
Como é a avaliação para cirurgia?
A decisão envolve exame detalhado do tônus, da força e da amplitude dos movimentos, análise da marcha quando disponível, exames de imagem do cérebro e da coluna e a definição de objetivos realistas com a família, como andar com mais facilidade, sentar com conforto, facilitar a higiene ou reduzir dor. A avaliação conjunta com fisioterapia e ortopedia é essencial.
Quando procurar avaliação?
Procure avaliação se a espasticidade ou a distonia limitam a função, causam dor, dificultam o sono, o posicionamento ou os cuidados diários, ou se o tratamento atual deixou de ajudar.
Em crianças com bomba de baclofeno, procure atendimento de urgência se houver:
- aumento súbito da rigidez, coceira intensa, febre ou agitação, que podem indicar falta do medicamento;
- sonolência excessiva, fraqueza ou respiração lenta, que podem indicar excesso.
Perguntas frequentes
A paralisia cerebral piora com o tempo?
A lesão no cérebro não progride. Mas com o crescimento podem surgir contraturas, deformidades e mudanças na função, por isso o acompanhamento é contínuo.
A cirurgia cura a paralisia cerebral?
Não. Os procedimentos tratam aspectos específicos, como a espasticidade, para melhorar conforto e função.
Toda criança com paralisia cerebral é candidata à rizotomia?
Não. A indicação é seletiva. Crianças com distonia predominante, fraqueza importante ou sem possibilidade de reabilitação intensa geralmente não se beneficiam.
A bomba de baclofeno precisa de manutenção?
Sim. Ela é reabastecida por uma punção na pele em intervalos regulares, e a bateria é trocada após alguns anos. Falhas exigem atenção imediata.
A criança poderá andar?
Depende do tipo e da gravidade. A classificação da função motora ajuda a equipe a orientar expectativas realistas para cada criança.
Uma avaliação individual faz a diferença
Se há dúvidas sobre o diagnóstico, os sintomas ou o acompanhamento, converse com a equipe que acompanha a criança. Sinais de urgência devem ser avaliados em um serviço de emergência.
