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Saúde e desenvolvimento na infância

Espasticidade na infância: o que é e quais são os tratamentos

Espasticidade é um aumento do tônus muscular que deixa os músculos rígidos e resistentes ao movimento, especialmente quando ele é feito de forma rápida.

Ela não é uma doença, e sim um sinal de lesão em vias do cérebro ou da medula que controlam os músculos. Nem toda espasticidade precisa ser tratada: o objetivo é melhorar função, conforto e cuidado.

Informação educativa para pais e familiares. Este artigo não substitui uma consulta nem define a conduta para uma criança específica.

O que é espasticidade?

O cérebro e a medula regulam constantemente a tensão dos músculos. Quando essas vias são lesadas, os reflexos da medula ficam menos controlados, e os músculos passam a contrair mais do que deveriam ao serem alongados.

A espasticidade pode causar dificuldade para andar, sentar, vestir e trocar fraldas, dor, espasmos e, com o tempo, encurtamentos musculares e deformidades das articulações. Às vezes, porém, ela ajuda a sustentar o peso do corpo, e retirá-la por completo pode piorar a função.

Quais são as causas na infância?

Como é feita a avaliação?

A equipe examina o tônus de cada grupo muscular, a força, a amplitude das articulações e a presença de distonia, que é um outro tipo de alteração do movimento e responde a tratamentos diferentes. Escalas padronizadas, filmagens e, quando disponível, análise da marcha ajudam a registrar a situação e comparar a evolução.

O mais importante é definir com a família o que se quer melhorar: andar, sentar, usar as mãos, dormir sem dor, facilitar a higiene ou o uso de órteses.

Quais são as opções de tratamento?

Os tratamentos costumam ser combinados e escalonados, dos menos aos mais invasivos.

Reabilitação e órteses

Fisioterapia, alongamentos, posicionamento e órteses são a base do cuidado em todas as fases.

Medicamentos por boca

Baclofeno, tizanidina, diazepam e outros podem reduzir a espasticidade generalizada. Sonolência e fraqueza podem limitar a dose.

Toxina botulínica

Aplicada em músculos específicos, reduz a espasticidade localizada por alguns meses. Costuma ser associada a fisioterapia e, às vezes, a gessos seriados.

Rizotomia dorsal seletiva

Cirurgia que secciona de forma seletiva parte das raízes sensitivas lombares, reduzindo de forma permanente a espasticidade das pernas. Indicada para crianças selecionadas, em geral com paralisia cerebral, espasticidade predominante nas pernas e bom potencial de marcha.

Bomba de baclofeno intratecal

Dispositivo implantado que libera baclofeno diretamente no líquor, com dose ajustável. Indicada para espasticidade ou distonia generalizada e grave. Exige reabastecimentos regulares e acompanhamento.

Cirurgias ortopédicas

Alongamentos de tendões, transferências musculares e correções ósseas tratam contraturas e deformidades já estabelecidas.

Como escolher o tratamento?

A escolha depende de onde está a espasticidade (localizada ou generalizada), da presença de distonia, da força muscular, da idade, dos objetivos e da possibilidade de manter a reabilitação. Procedimentos neurocirúrgicos tratam a causa neurológica do tônus aumentado; cirurgias ortopédicas tratam as consequências nos músculos e ossos. Muitas crianças se beneficiam de ambos, em momentos diferentes.

Quando procurar avaliação?

Procure avaliação se a rigidez causa dor, piora a marcha, dificulta sentar, dormir ou os cuidados diários, ou se os tratamentos atuais deixaram de funcionar.

Procure atendimento de urgência se a criança tem bomba de baclofeno e apresentar:

  • aumento súbito da rigidez, febre, coceira intensa, agitação ou confusão;
  • sonolência excessiva, fraqueza importante ou respiração lenta.

Perguntas frequentes

Espasticidade e distonia são a mesma coisa?

Não. Ambas aumentam a rigidez, mas têm mecanismos diferentes e respondem a tratamentos diferentes. A rizotomia, por exemplo, trata a espasticidade, mas não a distonia.

O objetivo é eliminar toda a rigidez?

Não necessariamente. Em algumas crianças a rigidez ajuda a ficar em pé. O objetivo é melhorar função e conforto.

A toxina botulínica é segura?

É amplamente usada em crianças, com dose calculada pelo peso. Efeitos indesejados são incomuns e geralmente transitórios. A equipe explica os riscos antes da aplicação.

A rizotomia é definitiva?

A redução da espasticidade é duradoura. A fisioterapia após a cirurgia é essencial para transformar essa redução em ganho de função.

Uma avaliação individual faz a diferença

Se há dúvidas sobre o diagnóstico, os sintomas ou o acompanhamento, converse com a equipe que acompanha a criança. Sinais de urgência devem ser avaliados em um serviço de emergência.

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